CUT-RS e sindicatos protestam contra reforma da Previdência no embarque de deputados no aeroporto

A CUT-RS, outras centrais sindicais e vários sindicatos, entre eles o Sindirodosul, protestaram contra a reforma da Previdência na madrugada desta terça-feira (12), no saguão de embarque do Terminal 1 do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Desde as 5h, dirigentes sindicais de diferentes categorias abriram faixas e distribuíram panfletos aos passageiros e trabalhadores das empresas aéreas, enquanto e se revezaram no microfone de um aparelho de som. Eles alertaram sobre os prejuízos para os trabalhadores e para a sociedade, caso essa proposta do presidente golpista Michel Temer (PMDB), que desmonta as aposentadorias, venha a ser votada e aprovada no Congresso Nacional.

Clique aqui para acessar o panfleto com as fotos dos deputados gaúchos favoráveis.

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, desmascarou a propaganda enganosa e milionária do governo de que a Previdência está quebrada. “A Previdência não tem déficit. O que tem é o interesse dos golpistas em fazer o trabalhador migrar para a previdência privada, atendendo a pressão dos banqueiros”, declarou.

Segundo ele, o senador Paulo Paim (PT-RS) comprovou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que a Previdência é superavitária, “apesar dos R$ 450 bilhões que deixam de entrar anualmente por causa da sonegação e da renúncia fiscal, além dos 30% que mensalmente são retirados dos cofres por causa da Desvinculação das Receitas da União (DRU)”.

Se votar, o Brasil vai parar

Nespolo frisou que o objetivo do ato foi, além de chamar a atenção dos usuários e trabalhadores do Aeroporto, reiterar aos deputados e seus assessores, que estavam embarcando para Brasília, a posição contrária do movimento sindical gaúcho. “Avisamos que quem votar a favor deste assalto aos direitos, que é a reforma da Previdência, não voltará no ano que vem”, disse ao se referir às eleições de 2018. “Caso essa proposta seja colocada em votação, as centrais sindicais irão parar o Brasil, fazendo uma nova greve geral, a exemplo da realizada em 28 de abril deste ano”, salientou.

O secretário de Relações do Trabalho da CUT-RS, Antônio Güntzel, enfatizou que a nova propaganda do governo mente ao dizer que a reforma é para combater privilégios. “Deputados, senadores, juízes e militares, exatamente os setores que têm as aposentadorias mais altas, não serão atingidos pela reforma do golpista Temer, que se aposentou com 55 anos e recebe R$ 30 mil por mês”, observou.

O secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr, apontou quem são os reais interessados pela reforma. “Nós, bancários, sabemos que os bancos estão por trás porque eles têm interesse em vender planos de previdência privada. Querem fazer com que o trabalhador, sem perspectivas de se aposentar na previdência pública, compre os PGBL e VGBL que já estão no mercado. São os banqueiros, os que mais lucram neste País, que querem essa reforma. Financiaram o golpe que tirou a presidente Dilma e agora estão impondo esta agenda de retrocessos ao Brasil”, denunciou.

Greve de fome completa oito dias

Ademir lembrou os companheiros do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) que hoje completam oito dias de greve de fome contra a reforma da Previdência, em Brasília. Para ele, essa atitude é uma demonstração de que temos que ir até o extremo para evitar que as pessoas tenham usurpados os seus direitos por toda a vida. “A reforma não acaba com privilégios, mas acaba com o direito à aposentadoria de milhões de trabalhadores e trabalhadores”, afirmou.

A secretária de Mulheres da CUT-RS, Ísis Marques, destacou que essa reforma não leva em conta a dupla jornada das mulheres, além de piorar as condições de saúde, contribuindo para ampliar a desigualdade existente entre homens e mulheres no mercado do trabalho. “Temer vive num mundo surreal e quer aprovar uma reforma perversa, que somente agrada o capital financeiro”, ressaltou.

Também se manifestaram o diretor da CUT-RS, Marcelo Carlini, reforçando a importância da greve geral, caso seja marcada a data da votação da reforma pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). A diretora da Fenajufe, Mara Weber, salientou que é preciso ficar de olho no voto dos deputados e das deputados para denunciar quem não representa os interesses da classe trabalhadora, a fim de impedir a sua reeleição em 2018.

Usaram ainda o microfone dirigentes da CTB e Nova Central, além de vários sindicatos e federações de trabalhadores. Estiveram presentes metalúrgicos, bancários, professores, aeroviários, trabalhadores na alimentação, sapateiros e servidores públicos, dentre outros.

O ato ocorreu simultaneamente nos principais aeroportos do país e integrou a agenda de lutas das centrais contra a reforma da Previdência.

Fonte: CUT-RS

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