RODOVIÁRIOS REJEITAM PROPOSTA DE FIM DOS COBRADORES E O ACÚMULO DA FUNÇÃO PELOS MOTORISTAS

Numa demonstração de unidade e consciência de classe, os rodoviários presentes à assembleia geral do longo curso, nesta terça-feira (16), na capital, rejeitaram por unanimidade a proposta patronal de acúmulo de função dos motoristas e o fim dos cobradores nas suas linhas. Até agora, após diversas reuniões de negociação, as empresas do setor ainda não ofereceram nenhum índice de reajuste salarial para a categoria, que tem data-base em 1º de junho.

“Estamos desde maio negociando e as empresas não fizeram nenhuma proposta concreta de aumento”, disse o presidente do Sindirodosul, Irineu Miritz Silva. Em vez disso, chegaram a falar em restringir o plano de saúde ao titular e apenas um dependente, mas depois voltaram atrás e o assunto saiu da pauta das reuniões.

“Mas querem que o motorista faça a cobrança das passagens, recebendo 3% (três por centro) do valor cobrado, e a exclusão dos cobradores”, completou o presidente. Com praticamente toda a diretoria presente, ele ressaltou que o sindicato não concorda com a ideia de provocar o desemprego de pais de família, que precisam desse trabalho, ainda mais numa época de crise econômica como agora.

Alguns dos trabalhadores presentes ponderaram que o acúmulo de função seria mais uma preocupação e um fator de risco para os motoristas, que precisam estar o tempo todo atentos ao trânsito de veículos e aos perigos das estradas mal conservadas.

Quando a proposta foi colocada em votação, ninguém foi favorável ao acúmulo de função dos motoristas ou qualquer possibilidade de dispensa dos cobradores. Todos votaram contra.

“Em meu nome e em nome dos meus colegas cobradores agradeço o apoio de todos, pois se aprovarem isso nós estaremos todos desempregados”, disse Luiz Fernando Guinguerr, delegado sindical na Frederes.

Deve acontecer em breve uma nova reunião, onde o sindicato vai apresentar a decisão dos rodoviários à entidade patronal, o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário Intermunicipal, Interestadual e Internacional do Rio Grande do Sul (Sindetri). A negociação está complicada, mas o sindicato confia que, com a posição firme da assembleia, as empresas apresentem logo uma proposta de reajuste salarial, para a negociação avançar.

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